Os pontos, agora, colocados em sua cabeça fechavam à marca do acidente.
Ele não mais se recusava a falar sobre o acontecido, mas a verdade não parecia estar presente na descrição.
O senhor já idoso disse ter se cortado com uma faca que estava sobre o armário ao tentar pega-la para cortar uma fruta, pois tinha muita fome. Percebeu quando ela escorregara sobre sua cabeça, mas por causa do seu estado de sonolência, não deu relevância ao corte e voltou ao sono ainda com fome.
A doméstica da casa em que ele mora diz que quanto chegou, pela manhã, as 7h, reparou no rosto do seu patrão, assustou-se, mas não compartilhou o acontecimento com ninguém, pois julgava estar sozinha. Ela percebeu as marcas de sangue pelo quarto do senhor idoso e também pelo banheiro do closet, mas não registrou sangue pela cozinha.
As duas histórias não coincidiam.
Agora que já estava tudo remediado, os filhos do idoso não se conformariam em ficar sem respostas. Iriam até onde fosse preciso para saber de toda a verdade.
terça-feira, 10 de junho de 2008
domingo, 8 de junho de 2008
Dolorosamente (parte 2)
Era mais complicado do que se previa, desfazer todo o imprevisto.
Os filhos reuniram-se na sala em busca de um mesmo objetivo: levá-lo ao hospital!
Mas ele estava imbatível, recusava-se a todo custo.
Gritos, choros, e nada. Enquanto isso o sangue de seu rosto continuava a transbordar.
O tempo ia passando e nenhum progresso quanto a situação acontecia.
Uma filha, após doar todas as suas forças e sua capacidade de convencimento desistira.
O outro filho largara-se sobre a cama e apenas aguardava.
A menina mais nova, ainda apreensiva, conformava-se.
O dia já estava caindo.
E inesperadamente surge a ultima esperança, a mãe das crianças consegue levá-lo ao hospital apenas com um pedido. Será que há um sentimento camuflado no coração daquele homem ferido?
Tudo vai bem. Acontece uma pequena cirurgia e já podemos raciocinar tranqüilamente.
O que realmente teria acontecido? Essa é a pergunta que insiste na cabeça de quase todos, com exceção do acidentado, que nessa hora ainda estava impossibilitado de dar explicações.
Os filhos reuniram-se na sala em busca de um mesmo objetivo: levá-lo ao hospital!
Mas ele estava imbatível, recusava-se a todo custo.
Gritos, choros, e nada. Enquanto isso o sangue de seu rosto continuava a transbordar.
O tempo ia passando e nenhum progresso quanto a situação acontecia.
Uma filha, após doar todas as suas forças e sua capacidade de convencimento desistira.
O outro filho largara-se sobre a cama e apenas aguardava.
A menina mais nova, ainda apreensiva, conformava-se.
O dia já estava caindo.
E inesperadamente surge a ultima esperança, a mãe das crianças consegue levá-lo ao hospital apenas com um pedido. Será que há um sentimento camuflado no coração daquele homem ferido?
Tudo vai bem. Acontece uma pequena cirurgia e já podemos raciocinar tranqüilamente.
O que realmente teria acontecido? Essa é a pergunta que insiste na cabeça de quase todos, com exceção do acidentado, que nessa hora ainda estava impossibilitado de dar explicações.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Dolorosamente (continua)
-Bom dia!
-Menina, eu estou preocupada, há muito sangue pelo corpo dele.
- Como é que é? O que houve?
A calma é fator importantíssimo nesses momentos.
Fui examinar com cautela o acontecido.
Havia realmente bastante sangue nele. Estava despido e jogado sobre o dormitório.
Aguardamos que ele despertasse de seu sono para olharmos cuidadosamente o corte.
Era realmente mais grave do que imaginava, profundo.
Mas como tudo teria acontecido? Certamente isso não era o mais preocupante naquela hora.
O tumultuo estava formado, agora não tinha mais como escapar de toda a algazarraza.
...
-Menina, eu estou preocupada, há muito sangue pelo corpo dele.
- Como é que é? O que houve?
A calma é fator importantíssimo nesses momentos.
Fui examinar com cautela o acontecido.
Havia realmente bastante sangue nele. Estava despido e jogado sobre o dormitório.
Aguardamos que ele despertasse de seu sono para olharmos cuidadosamente o corte.
Era realmente mais grave do que imaginava, profundo.
Mas como tudo teria acontecido? Certamente isso não era o mais preocupante naquela hora.
O tumultuo estava formado, agora não tinha mais como escapar de toda a algazarraza.
...
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Sem encantos

Poderiam escorrer lágrimas dos cantos dos meus olhos, mas isso somente se elas fossem inevitáveis. No caso de eu poder escolher, prefiro ao sorriso bem no meio do meu rosto. Acho que na vida todo mundo tem momentos em que não aguenta mais ouvir falar de amor, escutar músicas que façam alusão a um ser encantado, ou ler historinhas, repetidas, apaixonadas(por falar nisso, vou lembrar de comprar HQs). As pessoas têm vontade de ir ao cinema, porque é um lugar agradável e diferente de suas casas, mas lembrar que é um canto idealizado romântico, onde deve-se ir acompanhada ou sabendo que se assistirá filmes em que todos têm companhia - até os filmes de ação, acaba fazendo com que os desacompanhados percam o interesse por essa arte - o cinema, claro. Tem horas que nós não aguentamos mais tanto faz de conta. Parece que "A bela adormecida" e a "Cinderela" continuam até hoje. A diferença é que estão embutidas em historias romanescas baratas, que alimentam o sonho de um príncipe encantado, totalmente apaixonado e uma união chata, de casais perfeitos. O que vem mudando é apenas a contextualização. A forma com que os assuntos "encantados" estão sendo abordados, ou onde eles estão sendo apresentados. Mas as barreiras com o passado ainda não foram rompidas, pelo contrário, agora tem muito mais gente tirando vantagem da paixonite das pessoas.
As propagandas mostram casais lindos. Homens e Mulheres perfeitos. Isso pra que os consumidores, nós, tenhamos vontade de comprar algum produto somente pelo fato de acreditarmos que o amor perfeito seja real, ou ao menos acreditarmos que é possível esse sonho realizar-se conosco. Enquanto isso, publicitários e empresários engordam suas contas bancárias. E nós nos mantemos miseráveis, sem príncipes encantados, e sem percebermos o quanto somos marionetes do capitalismo, das corporações. Não precisamos sonhar mais do que viver. Se pudermos fazer os dois, que bom. Senão, façamos o que vivemos realidade e não esqueçamos dela, não a troquemos por "faz de conta", isso é praticamente supérfluo para uma vivência realizada.
Luiza Machado Vasconcelos Matos Cavalcante
As propagandas mostram casais lindos. Homens e Mulheres perfeitos. Isso pra que os consumidores, nós, tenhamos vontade de comprar algum produto somente pelo fato de acreditarmos que o amor perfeito seja real, ou ao menos acreditarmos que é possível esse sonho realizar-se conosco. Enquanto isso, publicitários e empresários engordam suas contas bancárias. E nós nos mantemos miseráveis, sem príncipes encantados, e sem percebermos o quanto somos marionetes do capitalismo, das corporações. Não precisamos sonhar mais do que viver. Se pudermos fazer os dois, que bom. Senão, façamos o que vivemos realidade e não esqueçamos dela, não a troquemos por "faz de conta", isso é praticamente supérfluo para uma vivência realizada.
Luiza Machado Vasconcelos Matos Cavalcante
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Outro olhar sobre o caso Isabella Nardoni
Réus sim! Culpados?Falam que o pai e a madrasta teriam lesionado e em seguida, levados por uma causa ainda desconhecia, matado Isabella de forma fria e sem nenhum pudor moral. Talvez tudo que se tem dito sobre o caso da pequena Nardoni seja a pura e simples verdade. Ou talvez nada que se tem revelado seja verídico, pois tudo pode se tratar de uma obviedade que a policia preferiu perceber. Tudo que seja muito evidente, creio eu, merece mais atenção e investigação, talvez pelo rumo seguido, pela linha de investigação, se tenha chegado a essa conclusão. Não podemos esquecer que a polícia fez somente um caminho de investigação. Não faço aqui uma defesa do casal, que ontem já se tornou réu do caso, mas sim uma defesa da justiça. Não devemos julgá-los pela obviedade, devemos esperar que não haja mais defesa alguma para podermos chamá-los de culpados, e isso só poderá ocorrer quando o conselho do júri assim o fizer.
Anderson Cidral - Estudante de Direito, 3o semeste, da Universidade de Fortaleza - Unifor.
sábado, 3 de maio de 2008
Retrato de um momento familiar
A calçada, a conversa entre família, o assunto pronunciado aos cochichos. Era esse o ambiente. Eu e minha prima no batente e os Machado ao lado. Acabou. Vamos para casa. Tchau família. Mãe me deixa em casa e leva a minha comida depois, obrigada! Ligo o computador. Escrevo um pouco. Gravo umas recordações, apago outras. De repente uma surpresa, era ele, o vento. As portas se batiam. Já anunciava a chegada dela, exatamente, a chuva, não tardou. Música, claro. É essencial. Algo relaxante. Uma vontade repentina de recordar a infância apareceu. Puxo a grande caixa com fotos. Muitas fotos. Via minhas duas famílias ainda jovens. Minhas duas irmãs, meus dois irmãos, minhas duas mães. Desde pequena já era apegada com minha prima-irmã, ela era meu espelho. Então como pode a gente ter se tornado tão diferente? Que bom. Significa que eu não perdi minha essência. Meu pescoço me faz parar. Já não agüentava mais a mesma posição. Um papo cabeça com O Cara, e eu já permitia a atividade dos meus sonhos.Luiza Machado Vasconcelos Matos Cavalcante
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Só um detalhe!

Sempre tive curiosidade em saber o que às pessoas faziam depois do ônibus.Para onde elas iam.Já me imaginei diversas vezes como jornalista investigativa, daquelas que esperam só um toque no cabelo para formar o parágrafo.Tanta senhora já aflorou minha imaginação. Era incrível ver aquelas, que estão quase no fim da vida, olhar de forma carente para a primeira poltrona que visse e esperar que alguém oferecesse o lugar aos seus cabelos brancos.Penso como teria sido sua face na juventude. Que tipo de perfume ela gostava de usar. Por falar nisso, porque você me disse que perfume é a persuasão usada na sedução? Será que mesmo aquela velhinha com cheirinho de bebê queria atrair o olhar de alguém? Coitada, parece ter preparado muito cuscuz na vida. E agora estar abandonada pelos filhos que ela tanto fez com que tivesse um bom futuro. Mas esse sorriso que lhe escapa a boca, ao ouvir uma musica sertaneja, inutiliza toda a minha tese. E se ela for feliz por ser devota a Deus desde a mocidade? Ou se sempre foi bom pra ela ver seu amor chegar a casa, lhe olhar com cara de superioridade e dizer: vem mulher, não vou tomar banho. Bota minha colher com o feijão na mesa. Já vai anoitecer.Se for parar pra escrever cada pessoa com a sua respectiva particularidade que me roubou a atenção, eu escrevo meu livro. E o ambiente vai ser realmente o ônibus. Tentaria descrever o lugar que cada um demonstrava querer parar e viver um minuto de felicidade. Ou o que sonhariam em estar fazendo. A cama que esperavam encontrar para que não se sentissem ridicularizados, dormindo em meio a todos, acordando assuntados com medo de perder o destino rotineiro.
Luiza Machado Vasconcelos Matos Cavalcante
Luiza Machado Vasconcelos Matos Cavalcante
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